sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mãe que não é babada... :)

Cada dia que passa o Gonçalo está mais lindo, mais desperto para o mundo, mais comunicativo e mais manhoso :)

As noites continuam a ser muito pacíficas, mas alguns  finais do dia nem tanto. Chega ali uma certa altura em que o cansaço já é tanto que dá lugar a um chorinho que só passa depois do banho e da mama. Dorme entre cinco a sete horas seguidas (houve uma noite destas que dormiu oito horas!) e continua a acordar para mamar e a dormir logo de seguida.
 
Normalmente acorda entre as oito e as nove da manhã, muito bem disposto a distribuir sorrisos e "ahhhhss" e "uuuuuhhhsss". Entretém-se com as mãos e com os pés (descobriu à pouco tempo que tem pés quando lhe calcei umas meias coloridas com umas baleias!! :) durante uns dez minutos e depois aborrece-se. Adora andar ao colinho, brincar no colinho, como eu digo, ele gosta é de ver o mundo de cima! :) enfim... ele é que sabe o que é bom!

Segura muito bem a cabeça, especialmente na posição de pé, encostado ao nosso peito ou virado para a frente. Fica muito atento a tudo o que se passa à volta e quer muita conversa e atenção. Quer é poder ver tudo!
 
Usa muito as mãos ainda que as use de forma algo atabalhoada. Leva-as à boca e chucha nelas. Leva-as à cara, às orelhas (que agarra e puxa!) e leva-as ao cabelo (que também puxa). tenta "bater" nos bonecos e alcança los, e normalmente tem os punhos cerrados, parece um mini  Rocky Balboa! :)

Continua a comer bem, mas já é muito mais rápido a dar conta do serviço. Não sei quanto pesa neste momento mas continua cheio de refegos. Até os dedos dos pés têm refeguinhos :)


Os olhos são uma incógnita, continuam muito escuros e sem cor definida, aceitam-se apostas!! Venha o que vier serão lindos com certeza.
   
Continuo super apaixonada por ele. Ter um menino é um consolo.... Adoro ainda mais a nossa proximidade. A forma como ele pára instantaneamente de chorar quando eu lhe pego ao colo. A forma como ele olha para mim antes de comer, os sorrisos que ele me dá pela manhã e a forma como ele pára o que estiver a fazer só por ouvir a minha voz.

Já passaram dois meses e meio e o amor cresce a cada dia, e realmente quando nós pensamos que não há espaço para mais, este amor é infinito...




sábado, 11 de agosto de 2012

Aos poucos

Aos poucos os dias passam e vamo-nos conhecendo melhor.
 Já sei quando é fome, quando é sono, quando é mimo, quando são dores.
 Às vezes é tudo ao mesmo tempo e dificulta mais um bocadinho mas no geral já estamos mais ambientados um ao outro.
Com ele não há dois dias iguais, não há rotinas, tanto come de hora a hora, como dorme 5 horas…

Gosta muito de conversa, de paródia e de passeio, e às vezes chego a pensar que está a perceber o que lhe estou a dizer! Está visto que é um miúdo com personalidade forte!
As noites continuam relativamente calmas. Toma banho, come e dorme. Ou então não! :) Isto até à meia noite. Depois acorda entre as 3 as 4 da manhã para comer, e eu em modo zombie, lá tento perceber onde estou e como me chamo, e lá pego nele, encosto-o a mim, acabando muitas vezes por adormecer, eu e ele!! Depois lá pelas 6 ou 7 horas ( nos dias melhores), mais um ritual do habitual.
Temos dias melhores e dias piores. Dias com mais birra, com mais cólicas, dias com mais sorrisos, com mais sonoridades divertidas, mas no geral estamos bem e felizes!











domingo, 5 de agosto de 2012

E Pluribus Unum

Para um dia quando souberes quem é o Rui Costa, te emocionares como eu a leres este texto...

Tristeza... alegria... emoção!
Foi um dos dias mais tristes da minha carreira e, ao mesmo tempo, um dos mais felizes. É estranho mas eu explico: foi um drama para mim saber que ia ao Estádio da Luz e não me ia equipar no balneário do Benfica. Naquele estádio, nunca me tinha equipado noutra cabina que não na do Benfica. Eu acho que nem reconheci a cabina visitante. Foi um drama pensar que ia entrar no estádio como adversário, que ia entrar no túnel pelo outro lado. Estive 13 anos naquela casa e quando jogava nas camadas jovens, mesmo quando não jogava no estádio, era apanha bolas nos jogos do Benfica. Estava sempre lá. Naquela noite eu não queria ser recebido em apoteose, mas também temia que os adeptos não tivessem compreendido as razões da minha saída. Quando cheguei ao aeroporto percebi que não havia motivo para receios, a recepção aí foi logo maravilhosa! A chegada ao estádio foi também uma grande festa. Se por um lado estava feliz e orgulhoso por ser tão saudado, por outro estava triste porque ia jogar com outra camisola que não a do Benfica.
Na Fiorentina tiveram comigo um comportamento fabuloso. O Batistuta praticamente exigiu que eu fosse o "capitão" naquele jogo. Os jogadores do Benfica estavam ali a ser apresentados para a nova época, mas o João Vieira Pinto, que era o "capitão", só me dizia: "Este jogo é para ti." Recordo-me que nas bancadas estavam duas faixas muito grandes dedicadas a mim. Uma dos No Name Boys e outra dos Diabos Vermelhos. Uma tinha uma enorme camisola vermelha com o número 10 e com a frase: "Por muitas mais que vistas esta será sempre a tua.". Ainda hoje me arrepio quando penso naquela frase. A outra estava escrita em italiano: "Rui Costa no coração (o coração estava desenhado)." Cada vez que tocava na bola era aplaudido. Até que chegou aquele momento.
Acredito que foi o destino. Era o primeiro jogo que eu estava a fazer na época e não deveria fazer o jogo todo. Estava programado fazer apenas 60 minutos. Nós estávamos a perder 1-0 e eu estava a sentir-me bem e por isso pedi ao meu treinador para jogar mais um pouco. Fui ficando, ficando... Estava a acabar o jogo quando apareceu aquele lance. Quando vi a bola entrar na baliza ia festejar porque o golo era da minha equipa, mas naquele preciso momento apercebi-me que estava pronto para festejar um auto-golo... quase. E saiu-me natural aquele descontentamento. Vieram-me as lágrimas aos olhos. É um dos momentos mais tristes da minha carreira, mas ter aquele estádio de pé a aplaudir-me foi uma coisa indescritível.
Lembro-me que o Vítor Pereira veio ter comigo e disse-me uma coisa que eu nunca mais vou esquecer: "Goza este momento porque é único." De facto, jogar num estádio como adversário e ser aplaudido depois de marcar um golo contra a equipa da casa... é uma imagem que eu tenho gravada, mas que nem gosto de rever na televisão.

Rui Costa
Ex-jogador do Benfica
n.d.r. Texto extraído do livro: A Luz não se apaga