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Adoro a maneira como escreve e pensa
"Eu já escrevi um livro chamado "A Vida vista daqui", título ingénuo para um livro tão embaraçosamente ingénuo em si mesmo, que nunca viu a luz do dia. Eu já perdi pessoas que me eram muito queridas. Umas morreram, outras fui só eu que as perdi. Eu já amei e desamei muito. Traí e fui traído. Já me desiludi e já iludi. Eu já senti que estava tudo perdido e também já pensei que tinha encontrado tudo. Nunca quis fazer mal a ninguém, embora o tenha feito sem intenção, inevitavelmente. Mas sei o que é quererem fazer-nos mal. Mal mesmo. Já aprendi que o ódio é uma perda de tempo e uma energia desperdiçada. Não odeio ninguém. Já me enganei acerca de muitas pessoas, e já me surpreendi a mim próprio, em bom e não só, infelizmente. Tentei aprender com tudo e ser melhor. Continuo a pensar assim.
Antes, tinha a ilusão de que, aos quarenta e tal, a vida ia estar toda arrumadinha, e seria só uma questão de ir vivendo, desfrutando. Antes.
A verdade é que a vida arruma-se e desarruma-se, a gente acha que tem tudo mais ou menos controlado, que deste céu não virá mais tempestade, que as lágrimas de toda uma vida já secaram de vez, esgotando-se, em descanso; que nada mais nos surpreenderá, numa esquina qualquer, assim como uma rajada de vento que nos arrasta de repente, mas não. Eu já fiz muita merda na vida, mas eu também já fiz muito bem a muita gente, e no deve e haver, não me envergonho do que sou. Só algumas partes, aquelas coisas que não me orgulho de ter feito e hoje. não faria. Reconhecendo falhas, erros, mas também tendo noção das coisas boas que consigo ser.
A vista vista daqui é uma serena noção de que isto é uma luta, connosco e com o passar dos dias, e que há que não baixar os braços nem a guarda, tudo pode acontecer.
Isto tudo, e mais qualquer coisa, está nesse tal livro secreto, que ontem à noite reli, de uma ponta a outra, surpreendendo-me, entre o embaraço e o sorriso, com o que escrevi entre 1994 e 2010.
Talvez um dia publique. Com pseudónimo, para não "doer" tanto."
in Dias Úteis
Penso que o texto traduz a vida na sua essência! Nada nem ninguém é perfeito. O importante é irmos aprendedo com os erros, com o bom e com o mau. Ir avnçando, tentando sempre fazer e dar o nosso melhor. Penso que devemos tentar sempre ser a melhor pessoa que podemos ser em todas as situações, mas que em última instância as nossas prioridades deverão ser a nossa familia e amigos, aqueles que verdadeiramente amamos e nos preocupamos...tudo o resto é acessório.
ResponderEliminarTenho dito!
beijos